Geração Internet pode se especializar em tecnologia

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Geração Internet enfrenta preconceito quanto a determinadas carreiras profissionais e universidades apostam na diferenciação abrindo cursos para áreas negligenciadas até agora, como tecnologia, esportes e cultura

Até há uns 20 anos atrás, era impensável para os pais aceitarem filhos em carreiras ‘independentes’. O bom era um emprego no mínimo das 9 às 6, seja no que fosse. Mas os anos 80 e as suas maravilhosas tecnologias chegaram desconstruindo diversos valores e, hoje em dia, aqueles jovens que passavam o dia inteiro jogando vídeo-game podem ir para a faculdade fazer um curso ligado a várias tecnologias com as quais cresceram. Segundo um professor de Natal, Jerônimo Freire, publicou no portal Universia em 2006, as faculdades estariam se preparando para receber a Geração Internet, nascida a partir dos anos 90 do século passado.

O que é um alívio para uns é, para outros, uma oportunidade para explorar esses nichos do ‘mercado’ do ensino superior, proliferando em vários países uma vasta gama de cursos profissionalizantes. Exemplo disso é o curso de Jogos Digitais oferecido pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, que vai formar criadores de jogos eletrônicos e de outros produtos do entretenimento digital interativo. A PUC de São Paulo seguiu o exemplo da pioneira lançando uma pós-graduação em simuladores de jogos computadorizados.

O mercado é novo, mas não é desconhecido. Uma pesquisa sobre a Indústria de Jogos no Brasil realizada pela Associação Brasileira de Desenvolvedoras de Jogos (Abragames) em 2005 constatou a existência de quase 60 estúdios de desenvolvedores de games no país, alguns consolidados desde 1992.

Na linha tecnológica, destaca-se também a criação de cursos universitários para formar Hackers, lançados quase simultaneamente nos Estados Unidos e na Grâ-Bretanha. O que surpreende a muitos que ouvem falar na idéia é que as pessoas confundem o Hacker (um programador capaz de modificar sistemas já definidos) com o Cracker (invasores virtuais que causam danos a sistemas). Estes cursos estão teoricamente voltados à formação de profissionais qualificados para o desenvolvimento de tecnologias de proteção de sistemas, inclusive com uma forte vertente filosófica.

Para quem não se sente à vontade com a ideia de passar a maior parte do seu tempo num escritório ou laboratório, outros dois cursos institucionalizam profissões que, até agora, não precisam de diploma universitário. É o caso da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em São José, Santa Catarina, que abriu o primeiro curso brasileiro de graduação em negócios de surf. Ministrado por professores com formação acadêmica mas com experiência ou atuação profissional na indústria, o curso conta com aulas práticas e teóricas sobre fábricas de equipamentos e materiais, etapas de circuitos, entre outros tópicos.

Na área cultural, se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre a validade do rock como música popular deve rever os seus conceitos. A pioneira Usininos também possui um curso de Formação de Músicos e Produtores de Rock do Brasil, idealizada pelo roqueiro gaúcho Frank Jorge, (ex-Cascavelletes, ex-Graforréia Xilarmônica, ex-Cowboys Espirituais). Os alunos terão aulas de Direito autoral, Desenvolvimento da carreira musical, Laboratório de rock, Antropologia e Ética.