Tráfico de pessoas na Líbia como escravos choca o mundo

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No início de novembro, a CNN, cadeia americana de notícias, identificou tráfico de pessoas como escravos na Líbia. O tratamento ao qual os atingidos estão sendo submetidos chocou o mundo. Fotos reveladas pela mídia mostram homens pendurados de cabeça para baixo, amarrados pelos pés, pessoas subnutridas e valas comuns lotadas de cadáveres.

A matéria da CNN revelou a situação desesperadora de migrantes que procuravam a capital da Líbia, Tripoli, em busca de um caminho para imigrar para a Europa. Foram mostrados que as vítimas estavam sendo vendidas em leilões no mercado. Ao que tudo indica, os milicianos que oferecem as viagens de barco pelo Mar Mediterrâneo começaram a vender os migrantes que chegam à Líbia sem o dinheiro necessário para a viagem marítima.

De acordo com detalhes relatados por quem conseguiu escapar, publicado na BBC Brasil, muitos chegaram sem nada à Tripoli porque foram assaltados durante a travessia do deserto do Saara, feita muitas vezes em carros e caminhões lotados onde as pessoas tem de ficar praticamente umas em cima das outras, sob um sol escaldante.

Outros migrantes se submetem à venda pelos milicianos porque não haveria outra forma de fazer a travessia de mar para a Europa.

Além da venda de seres humanos, as vítimas sofreram tortura física, como surras com cabos de aço, tendo sacos plásticos postos sobre a cabeça ou sendo colocados em barris de água com as mãos amarradas.

Vários conflitos no continente africano provocaram ondas de imigração desde 2016, provocando uma verdadeira crise humanitária. Alguns países europeus fecharam completamente as suas fronteiras para os refugiados, enquanto outros ainda os estão recebendo em menor número.

Atualmente, existem cerca de 40 milhões de pessoas trabalhando em regime de escravidão em 2016, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em primeiro lugar nesse ranking estão os países asiáticos e do Pacífico, com 24 milhões, e países africanos, com 9 milhões. Nas Américas, existe ao menos 2 milhões de pessoas vítimas de trabalho análogo à escravidão. Mesmos os países industrializados contribuem com o seus quinhão.

A OIT caracteriza o trabalho escravo baseando-se no princípio da liberdade do trabalhador. As formas mais comuns onde esta a liberdade é cerceada são pela imposição ilegal de dívidas, a apreensão de documentos, a presença de guardas armados e «gatos» de comportamento ameaçador ou pelas características geográficas do local, que impedem a fuga.

A organização internacional faz levantamentos anuais sobre o trabalho escravo, e nos últimos anos tem procurado abranger outras categorias de escravidão a ser combatidas, destacando-se os trabalhadores em funções domésticas, na agricultura, na construção civil ou são forçadas a trabalhar pelas autoridades governamentais. Os estudos também mostram que as mulheres e meninas estão entre as mais afetadas, somando 29 milhões. Entre as formas de mão de obra forçada entram as categorias Trabalho Infantil, Casamento Forçado, principalmente de menores de idade, e Prostituição.