Anorexia deve ser combatida com estilo de vida saudável

A lucrativa indústria da moda vem sendo gradual mas decididamente abalada pelos inúmeros acontecimentos ligados à saúde física e mental da sociedade de consumo. O debate voltou à toda força depois que a modelo brasileira Ana Carolina Reston, de 21 anos, morreu em consequência de anorexia em 2006.

Desde então, vários outros casos de morte pela doença, que causa distúrbios alimentares e danos ao organismo em geral, já foram divulgados na mídia nacional e internacional, reacendendo o debate sobre as regras rígidas a que as modelos têm de se submeter para se manter na profissão. Outro polêmico assunto é a influência que a indústria da moda tem sobre a sociedade, ditando estilos de consumo, entre eles a magreza extrema como imagem de beleza física que é, realmente, o que tira o sono de muitos pais de adolescentes mundo afora. Nos anos 60 do século passado, a britância Twiggy Lawson tornou-se a primeira top model a adotar o estilo ‘magérrimo’ de ser e lançando a tendência que perdura até hoje.

Protestos e diversas outras iniciativas relacionados ao assunto têm ecoado mundo afora, como o banimento de várias modelos, consideradas muito magras, nos mais importantes eventos internacionais da moda. No Pasarela Cibeles, o mais concorrido evento espanhol na área, realizado anualmente em Madri, 5 modelos que tinham IMC (Índice de Massa Corporal) abaixo dos 18 foram rejeitadas. No Fashion Business, evento dedicado ao mercado e realizado em janeiro durante o Fashion Rio, temas como distúrbios alimentares, e em especial a anorexia, houve um debate com a coordenadora do núcleo de doenças da beleza da PUC-Rio, Joana de Vilhena Novaes, o médico especializado em pacientes com transtornos alimentares, Luiz Mikalauskas, a ex-modelo Luisa Pontes, que chegou a ter anorexia aos 17 anos, os bookers Sérgio Mattos e Morgana Arruda e a modelo e atriz Juliana Galvão.

Na semana da moda de Londres, a ONG britânica AnyBody passou a promover, de uma forma divertida, a diversidade física e uma auto-imagem mais saudável, lançando um protesto onde pedem aos organizadores do evento para apresentarem modelos mais ‘normais’ e divulgando um abaixo-assinado e slogans como ‘Queime o seu IMC’ no seu website. O grupo é formado por advogados, psicoterapeutas, artistas, profissionais da midia e da moda. Ainda na capital britânica, o restaurante Bunpkim, bastante popular entre celebridades da indústria fashion, situado em Notthing Hill, tomou a iniciativa de oferecer refeições gratuitas à modelos hospedadas na cidade para o evento e que vestem tamanho zero, ou seja, cuja relação peso/altura, ou IMC, está abaixo de 18.

Em 2017, a França passou a proibir modelos em desfiles que estejam muito magras, em uma tentativa de promover uma imagem corporal mais saudável e atingível.