Feminismo é eleita palavra do ano na Merriam-Webster

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Feminismo foi eleita a palavra do ano mais procurada no dicionário da Merriam-Webster, que é uma referência mundial em termos e definições. A escolha acontece em um momento onde os direitos das mulheres sofrem sucessivos retrocessos no mundo todo.

O termo feminismo se refere à luta das mulheres pela sua libertação política e social. 2017 foi marcado por diversas marchas e campanhas organizadas por lideranças femininas. Em março, as mulheres fizeram protestos contra a eleição de Donald Trump na capital americana, Washigton. Nos Estados Unidos, o 45º presidente americano quer desobrigar os empregadores a arcarem com os custos de pílulas anticoncepcionais para as trabalhadoras.

A palavra despertou ainda mais interesse depois que a marcha foi questionada se seria realmente feminista, aumentando exponecialmente após organizadoras da marcha dizerem que não se consideravam feministas. A partir daí, os numerosos casos de assédio sexual em Hollywood, a campanha “Eu também” (#MeToo, que elegeu as artistas que denuciaram abusos sexuais à capa da Revista Times por dar voz às mulheres que sofreram violência sexual masculina) e o sucesso de audiência do Conto da Aia (The Handmaid’s Tale, série distópica da Hulu, baseada na obra de Margaret Artwood, sobre emprisionamento feminino) elevaram o termo “feminismo” ao topo das buscas pela sua definição no dicionário.

No cenário brasileiro atual, os principais retrocessos nos direitos das mulheres se caracterizam pelas tentativas do governo de Michel Temer de permitir (mais especificamente, de não proibir) mulheres grávidas de exercerem atividades insalubres e que por isso possam por em risco a saúde e vitalidade de mãe e bebê, além da votação suspeita, por 18 votos a um, de uma emenda que passará a proibir o aborto legal e seguro até mesmo nas situações que agora são permitidas, como em casos de risco à vida da mulher, de gravidez que seja fruto de estupro e de bebês anencéfalos ou com microcefalia.

Outro fato chocante de 2017 foi a notícia de que, durante uma das maiores crises humanitárias dos últimos anos, quando milhares de sírios fugiram da guerra para pedir asilo em países europeus, fazendo perigosas travessias por deserto e por mar, meninas e mulheres estavam sendo estupradas ou obrigadas a atos sexuais em troca de comida, abrigo, de passagem segura ou de entrada à Europa.

Tanta procura pelo termo feminismo já pode ter gerado um lucro positivo no lado social. Além de ser a palavra mais procurada no dicionário Merriam-Webster, gigantes como Apple, Google, Microsoft e Amazon estão agora sendo duramente criticadas pelos seus programas robôs de áudio comando. Siri, Google Home, Cortana e Alexa, respectivamente, são ferramentas que permitem ao usuário de smartphones, Tablets e computadores abrir documentos, programas e fazer pesquisas apenas com comandos de voz.

As vozes usadas são femininas, e quando testadores de programas profissionais fizeram perguntas ou afirmações de cunho sexual aos robôs, as respostas não podiam deixar mais a desejar. De acordo com a campanha Care2, que fez uma petição à Apple e à Amazon para que combatam o assédio sexual em seus respectivos programas, quando Siri foi chamada de vadia, a robô respondeu que ficaria enrubescida, se pudesse. Os testes teriam sido feitos antes mesmo da campanha “MeToo” ter surgido, e as recentes denúncias de abuso sexual na indústria cinematográfica americana impulsionaram a criação da campanha da Care2 para que as empresas de grande porte assumam a responsabilidade de combater a violência masculina contra as mulheres.