Natal tem origens mais antigas do que se pensa

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O Natal é a principal celebração cristã. A data comemora o nascimento de Cristo, que segundo a tradição teria ocorrido há cerca de dois mil anos. Mas essa data é fictícia. A falta de registros oficiais da época levou a igreja a estimar quando Jesus teria nascido, baseado nos relatos mais antigos sobre a vida do pregador, feitos anos após a crucificação.

É o que revelam vários estudos e pesquisas sobre a origem do natal, feitos nos últimos anos. Ninguém sabe ao certo quando Jesus nasceu. Mas quando a igreja católica estava organizando as suas celebrações, decidiram que o nascimento de Cristo seria celebrado no dia 25 de dezembro. Esse dia é uma data histórica para as populações que viviam na Europa há muitos anos – e a igreja estava bem estabelecida no continente, com sede em Roma, capital da Itália, após o cristianismo ser adotado como a religião oficial do Império Romano.

O dia 25 de dezembro marca o Solstício de Inverno no Hemisfério Norte. A região acima da linha do Equador passa por invernos muito rigorosos, com temperaturas baixas, muita chuva e neve, principalmente na parte norte, como no Porto (Portugal), Barcelona (Espanha), Paris (França), Escócia (Reino Unido). As baixas temperaturas fazem com que a vegetação natural do Velho Continente reajam de maneira extrema: na maior parte dos lugares, as árvores perdem completamente as suas folhas durante o outono. Além disso, os dias ficam extremamente “curtos”: há lugares em que o dia só clareia a partir das 11h da manhã, e às 4h da tarde já está escurecendo novamente.

Com estas condições, é possível imaginar que a vida podia ser bem mais difícil a partir do fim do verão, e as populações prehistóricas do Hemisfério Norte teriam feito um pouco como as formigas: caçavam e coletavam mantimentos durante o outono, quando ainda há o que coletar, e guardavam mantimentos para enfrentar os frios dias do inverno, onde praticamente nada cresce.

Mas tudo isso começa a mudar no Hemisfério Norte a partir do dia 25 de dezembro. A partir dessa data, que concretamente significa que a Terra está se aproximando novamente do Sol, em sua trajetória elíptica, os dias começam a ficar um pouco mais compridos, há menos neve, o frio já não é tão intenso, a vegetação reaparece aos poucos. Por esses motivos, o Solstício do Inverno é uma data que já era celebrada como um símbolo da vida nascente desde que os humanos passaram a viver no Hemisfério Norte, já que, de acordo com a ciência, o homo sapiens teria surgido na África há 200 mil anos e pequenos grupos teriam migrado a partir desse continente quando mudanças climáticas criaram desertos e forçaram os humanos a procurar, literalmente, novas pastagens.

Mesmo após o início das civilizações, quando a agicultura passou a ser a principal fonte de alimentos e a caça e a coleta passaram a ser praticadas mais por entretenimento do que por necessidade, em muitos casos, a tradição de celebrar o fim das longas e frias noites ficou, porque ainda afetava as plantações e todo o ciclo da vida. Muitas religiões que hoje são consideradas pagãs mantiveram a comemoração bem no centro de suas culturas.

A igreja, portanto, determinou que o nascimento de Cristo fosse celebrado justamente na data mais comemorada pelos humanos em toda a sua história. Hoje em dia, o natal é comemorado até mesmo em países onde a maioria pratica outras religiões, devido ao alto apelo que a data carrega, impulsionado pelo capitalismo e pelo consumismo.