Pobreza: quando estudar e trabalhar não é suficiente

0
177
pobreza

Milhões de pessoas no mundo todo vivem abaixo da linha da pobreza atualmente, segundo as principais organizações internacionais alertam. Pouca qualificação, salários baixos, a precariedade do mercado, custo de vida alto e políticas de redistribuição de renda ineficientes estão entre as várias causas de um fenômeno causado pelas sucessivas crises econômicas: a massa de trabalhadores pobres.

A versão brasileira do jornal Espanhol EL Pais relatou em novembro que a crise na Espanha é uma das mais graves do continente na atualidade, atrás apenas de Grécia e Romênia. A legislação trabalhista espanhola, que prevê contratos de trabalho parciais, está sendo apontada como um dos prinicpais fatores do aumento da pobreza no país.

A reforma trabalhista brasileira, que entrou em vigor este mês, foi inspirada na legislação espanhola e está sendo bastante criticada por especialistas da área, que temem que o trabalho possa perder a capacidade de integrar a população na sociedade, como havia conseguido até a pouco tempo. No Brasil, houve um crescimento significativo da classe média durante os dois governos anteriores ao mandato de Michel Temer. Agora, as medidas do presidente brasileiro atual podem fazer o país voltar para o mapa da fome da ONU.

A pobreza no trabalho, segundo a reportagem do EL Pais, vai sempre impactar os jovens com maior força. Até 2007, pelo menos, muitos paravam de estudar para trabalhar, sendo uma das principais causas de evasão escolar na época. Esse quadro, porém, parece ter sido revertido, segundo o “Eqüidade, eficiência e educação: motivações e metas”, realizado naquele ano pela Fundação Getúlio Vargas.

Atualmente, 9% da população brasileira acima dos 15 anos é analfabeta, e quase metade dos jovens entre 15 e 17 anos que não estudam estariam fora da escola por escolha própria, ou por desinteresse do aluno – devido ao fato da escola ter se tornado um lugar desinteressante para os alunos. A pesquisa revelou ainda que os jovens perderam o interesse pela escola porque ela não evoluiu com a tecnologia, e que 95% das melhoras nas condições de saúde da população brasileira se deu através da educação e não pelo aumento da renda.

No entanto, ainda havia a esperança de melhorar de vida se estudassem. O salário de quem tem curso universitário possibilitava aumento salarial, e as chances de conseguir emprego também aumentavam significativamente. Mas esse fenômeno estaria agora ameaçado pela nova legislação brasileira e pela precariação das políticas de redistribuição de renda, como o Bolsa Família, ocorridas no governo atual.