Reciclagem alimentícia é arma contra o desperdício

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reciclagem alimentícia

Em 2012, os jornais estavam publicando matérias sobre reciclagem alimentícia. A novidade era usar restos de comida para fazer novos pratos. Agora, surgem start-ups (empresas iniciantes/emergentes) voltadas especificamente para o reaproveitamento de alimentos que seriam descartados, mesmo estando em perfeitas condições de consumo. 

Essas novas empresas estão apostando na reciclagem alimentícia. Uma reportagem da BBC compilou uma lista de start-ups que usam alimentos indesejados, excedentes ou estragados para produzir novos produtos.

Assim, restos de comida ou alimentos que não servem mais para o consumo podem virar combustíveis para sistemas de aquecimento de biomassa ou fertilizantes. Pão estragado é transformado em cerveja. Frutas e vegetais com formatos “estranhos” mas perfeitamente seguros para o consumo viram “chips” saudáveis, molhos, pickles, geleias. Matéria orgânica também pode ser utilizada para fazer corantes alimentícios e para outros usos. Refeições que ainda podem ser consumidas em restaurantes ou até mesmo em casa podem ser agora compartilhadas e enviadas para outro locais e lares a partir de aplicativos. E os vegetais que não posseum o formato padrão exigido pelo mercado são vendidos a preços mais baixos, evitando que sejam descartados prematuramente.

Brasileiros já reciclam alimentos há muito tempo

Para um brasileiro, a ideia de reciclagem alimentícia pode parecer estranha ou até mesmo óbvia, mas não exatamente nova. Afinal, existe vários pratos da culinária brasileira que são feitos usando ingredientes que já foram previamente servidos, reaproveitando-os em um novo prato.

Os exemplos são fartos. O peru ou frango assados para a ceia na véspera de Natal podem virar um delicioso salpicão no almoço do dia seguinte. Basta desfiar e acrescentar os novos ingredientes. Uma salada de legumes pode ser reaproveitada em uma omelete ou fritada.

Outros três pratos vêm corroborar a ideia de que reciclar comida já é uma técnica comum entre os brasileiros e que o consumo ecológico faz parte do seu dia a dia. O bolinho de arroz, por exemplo, pode ser feito reaproveitando o arroz cozido no dia anterior.

E o que dizer do tutu de feijão? Raramente ele é feito dentro de casa com feijão novo e fresquinho. Já o bom e velho estrogonofe pode ser uma solução interessante para a carne assada ou os bifes que tenham sobrado de uma refeição.

Uma infinidade de outras receitas pode ser feita de restos impensáveis, como a casca do abacaxi (para fazer suco), a casca de banana (para fazer doces) e por aí vai.

O vatapá e a rabanada vêm coroar a lista de saborosas receitas. Ambos podem ser preparados com pão velho, e muitos afirmam que fica até melhor assim.

Mas é bom que os países desenvolvidos criem esse hábito. Ao todo, estima-se que mais de um bilhão de toneladas de comida sejam jogadas fora por deixarem de atender aos padrões de qualidade permitidos para a sua comercialização nos supermercados.

No entanto, essa mesma comida ainda pode ser consumida. Organizações de caridade e restaurantes famosos estão agora requisitando estes produtos com prazo de validade expirado para produzir pratos com comida fresca e servi-los aos necessitados ou angariar fundos.

Vegetarianismo também recicla alimentos

Na culinária vegetariana ou vegana também é possível encontrar diversos exemplos de reciclagem alimentícia. Aquela banana que já está bem madura, com casca ficando preta e interior meio escuro pode ser congelada para virar uma massa base para fazer sorvete. Depois, basta acrescentar uns morangos congelados (aqueles já amassados e meio molinhos que geralmente se jogaria fora) para dar um novo sabor à sobremesa.

Fez um feijão branco e sobrou uma quantidade generosa? Basta retirar o caldo, amassar os grãos e juntar um pouco de farinha e temperos, como cebola, pimentão vermelho, alho e sal. Quando a massa estiver seca, fazer bolinhas para fritar ou assar, transformando-se em deliciosas almôndegas.

Até um purê de batatas pode virar um prato novo. Com um pouco de azeite, amido e temperos, é possível criar um queijinho vegano.