Veganismo atrai cada vez mais adeptos

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O veganismo é uma prática que está crescendo no mundo todo. Considerada uma dieta que restringe completamente o consumo de produtos de origem animal, ser vegano é, na verdade, seguir um estilo de vida onde toda a vida animal é respeitada. Há, porém, algumas confusões com os termos mais usados entre os adeptos, como a palavra vegetarianismo. Existem alguma diferença importante entre ser vegano e ser vegetariano?

A resposta não podia ser mais simples: existe. O vegetariano não consome nenhum tipo de produto de origem animal na sua alimentação. Já o vegano procura eliminar todo e qualquer produto de origem animal do seu dia a dia. Não apenas o veganista consome apenas vegetais nas suas refeições, mas também evita o uso de roupas e acessórios de couro ou de lã, mel (que pode ser substituído por melaço, agave) e banhas. Também evita todo e qualquer produto que possa conter susbstâncias de origem animal, como cosméticos e produtos de limpeza.

A restrição, porém, não para no uso de produtos feitos com substâncias vindas dos bichos. No veganismo, também procura-se evitar a compra de pets, dando preferência à adoção dos animais de rua ou vindos de abrigos, filhotes de outros lares etc. Produtos que não contenham nenhuma substância animal mas que foram testados em animais também são evitados, bem como aqueles que foram produzidos à base de trabalho escravo humano.

O motivo para tanta restrição no veganismo seria a sustentabilidade. Pesquisas recentes alertam que a criação maciça de gado está entre alguns dos fatores que provocam o aquecimento global, resultante da emissão de gás metano pelos animais. Além disso, os animais criados para o corte, para a indústria leiteira e de produção de ovos viveriam em condições precárias, amontoados em espaços pequenos, onde grandes produtores utilizam hormônios de crescimento para acelerar o seu desenvolvimento e atender a demanda em tempo recorde. Pesquisas recentes mostram que esses hormônios são prejudiciais à saúde humana. E a quantidade de antibióticos ministrados aos animais em cativeiro estaria entre os fatores que reduzem a eficácia dos antibióticos em humanos, já que o organismo cria resistência após determinado nível de consumo.

Outro aspecto preocupante da indústria agrícola e pecuária é a quantidade de água necessária para se produzir apenas um quilo de carne. Milhões de litros são usados em plantações de soja e milho para alimentar o gado. A contabilidade também calcula o consumo de água pelos próprios animais durante o seu período de vida, do nascimento ao abate, além da água utilizada para limpar tanto a carne quanto o local de abate, e também a água usada para produzir as embalagens.

Sem contar que dois terços das áreas agrícolas do mundo são usadas atualmente para produzir alimentos para o gado da indústria pecuária. Organizações ambientais afirmam que se essa proporção fosse invertida, daria para produzir vegetais e frutas em quantidade suficiente para alimentar toda a população humana.

Veganismo/vegetarianismo são opções viáveis quando se sabe onde encontrar as informações corretas

Para quem está pensando em aderir ao vegetarianismo ou veganismo, é preciso considerar as circunstâncias de cada um. Muitas vezes, principalmente para pessoas em situação financeira mais confortável, basta ter a informação. É possível substituir toda a alimentção “tradicional” por opções vegetais? Sim, é. Mas é preciso tempo, e isso nem todo mundo o tem.

Uma maneira prática e saudável de começar a praticar o veganismo ou ou vegetarianismo é adotando a ideia da Segunda Sem Carne. Sucesso em todo o mundo, significa trocar o combo diário de arroz/feijão/carne por algo que não contenha nada de origem animal por um dia inteiro. No café da manhã, substitua os iogurtes, queijo, presunto, manteiga e copo de leite por frutas in natura, suco de fruta para comer com pão de sal no azeite ou manteiga de amendoim (a maioria das receitas do famoso pãozinho é vegana), café para os adultos, chá, cereais (semente de chia, linhaça com passas e leite de coco), leites vegetais, iogurte de leite de coco (do tipo firme  e cremosos) com frutas à escolha.

Para o almoço, macarrão ao alho e óleo, ou arroz com tutu de feijão, ou até mesmo o velho arroz, feijão, batata frita. Outras opções passam pelas sopas no inverno e pelas saladas no verão.

Café da tarde: frutas da estação, sorvete vegano (bananas e morangos congelados, abacate com leite de coco e melado), muffins, bolos e biscoitos sem ovos ou leite, viaminas.

Para o jantar: hamburguers ou nuggets de graos e vegetais, sopas, sanduíche natural (dá para fazer uma maionese gostosa com sementes de girassol), milho verde, batata assada no forno.

À medida que a família se acostuma com as novas opções, dá para introduzir mais dias sem carne ou derivados do leite e ovos na dieta durante a semana, deixando o consumo de alimentos de origem animal somente para o fim de semana. É bom lembrar que consumir carnes, ovos e leite ou derivados somente aos fins de semana já dá um baita descanso na natureza!

Apesar de parecer que o vegetarianismo ou o veganismo estão ligados diretamente à um estilo de vida mais saudável, ainda dá para consumir vários produtos considerados “junk food”. Nachos com guacamole, pizza com mandioqueijo (uma versão vegana de queijo, feita com mandioca), a própria batata frita são alguns desses exemplos.

Variar o cardápio é a chave para uma alimentação saudável e saborosa, portanto o interessante é encher o prato de cores. Além disso, é preciso entender que a proteína animal é considerada uma proteína completa para as nossas necessidades, enquanto as proteínas vegetais necessitam de algum complemento. Poucos sabem, mas vegetais que possuem proteína como os grãos (feijões, lentilha, grão de bico, quinoa), o brócolis e as oleaginosas (castanhas, nozes) adquirem maior valor protéico quando combinadas com cereais (farinha de trigo, de arroz, de aveia). Curiosamente, o famigerado arroz com feijão já é, por si só, uma fonte de proteína quase completa.

A falta de tempo para cozinhar pode ser relativamente resolvida com alguma organização. Uma alternativa viável é pegar um fim de semana calmo e fazer vários pratos para congelar, utilizando-os aos poucos durante a semana.

Existem inúmeras receitas para fazer e apimentar a dieta, como salsichinhas de lentilhas, pizza com base de brócolis ou couve-flor, almôndegas de grãos, hummus (feito com grão de bico, perfeito para comer com palitos de pepino e de cenoura), “nuggets” de vegetais (milho e ervilhas, ou cenoura e purê de batata), panquecas com recheio de ervilhas e milho ou um fritadinho de cebola, pimentão, cenoura e cogumelos, hamburguer de vegetais ou grãos (feijão preto com quinoa, por exemplo), estrogonoffe de cogumelos, vatapá de tofu, nhoque de batata doce com molho pomodoro.

Alguns complementos são completamente desconhecidos da maioria da população. Com uns temperos e azeite, dá para fazer uma manteiga vegana. Basta congelar para utilizar depois. A maionese vegana pode ser feita com sementes de girassol batidas no liquidificador. A água do cozimento de feijão branco e grão de bico (assim como a água da conserva desses grãos e de outros, como a ervilha) pode ser usada como ingrediente base para fazer suspiro, glacê de bolo ou mousse. É preciso bater a água com a batedeira e vinagre de maçã, e adoçar a mistura quando adquirir a consistência de clara em neve. A farinha do grão de bico também vira um substituto incrível do ovo para fazer omelete. Ns receitas de pratos doces como bolo, dá para usar um purê de maçã para dar a liga, enquanto nas receitas salgadas pode-se usar a farinha de linhaça, dissolvida em um pouco de água. E que tal um “pão de beijo”? Na versão vegana, usa-se um purê de batata doce no lugar do queijo.

Apesar de ser possível substituir todos os ingredientes de origem animal por vegetais e suas combinações para seguir o veganismo ou o vegetarianismo, especialistas afirmam que o corpo ainda vai precisar, pelo menos, de vitamina B12, que não é encontrada em plantas. Assim, é recomendado tomar um suplemento regular da vitamina, prescrito pelo médico, e adquirir produtos veganos como manteiga que já venham suplementadas.