Escândalos sexuais nos EUA revelam dezenas de vítimas

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Os Estados Unidos, considerado a nação mais poderosa do mundo, tornou-se o palco central de uma série de escândalos sexuais envolvendo homens em cargos de grande influência. Até 2017, denúncias de abusos cometidos por celebridades como Bill Cosby nunca haviam sido verdadeiramente punidas. Mas o caso Harvey Weinstein trouxe à luz a extensão do problema.

Várias mulheres do meio artístico, muitas delas famosas por seus papéis no cinema, denunciaram em massa as ações libidinosas do produtor americano, provocando uma série de iniciativas para combater o abuso sexual em Holywood, como a campanha “Eu também” (#MeToo). A campanha foi celebrada pela revista Time, uma das cinco vezes em que mulheres apareceram na capa como personalidades do ano, desde que a revista começou a escolha, em 1927.

O ator Kevin Spacey também foi denunciado, dessa vez por homens que eram atores mirins quando foram assediados, e acabou execrado, perdendo o seu papel em House of Cards e em produções cinematográficas em que estava trabalhando. O ator assumiu a sua homossexualidade em vista das denúncias, mas o público e muitos colegas da indústria artística não ficaram muito convencidos de que esse era um pedido de desculpas eficiente.

Na cerimônia do Globo de Ouro, realizada em janeiro de 2018, diversos artistas que eram sempre esperados no evento deixaram de comparecer devido à chuva de denúncias de assédio sexual. Celebridades também criaram a campanha “Está na hora” (#TimesUp) e urgiram os artistas a comparecerem vestidos de preto, em apoio e luto pelos sobreviventes dos abusos. Oprah Winfrey, a famosa apresentadora de TV, foi agraciada com um prêmio concedido ao conjunto de sua obra, sendo a primeira mulher negra a recebê-lo na história. Seu discurso de agradecimento também foi aclamado pelo mundo por falar sobre os abusos e enaltecer a coragem das mulheres que romperam o silêncio. Confira o discurso da Oprah Winfrey Receives Cecil B. de Mille Awards at the 2018 Golden Globes.

Apesar do alcance que os escândalos sexuais assumiram, o assunto ainda causou incerteza para alguns. Um grupo de cem mulheres francesas, encabeçado pela atriz Catherine Deneuve, assinou um documento onde se afirma que a linha entre assédio e paquera é tênue e que não é possível dizer que todo homem seria um abusador em potencial. O documento foi severamente criticado por dar margem a que se perpetue a violência masculina contra mulheres, alegando que nem todos os avanços sexuais masculinos sobre mulheres são assédio sexual.

Infelizmente, dar o benefício da dúvida aos abusadores não impediu que um novo caso, ainda maior do que todos os outros até agora, tenha vindo à tona. No dia 16 de janeiro de 2018, dezenas de atletas, algumas medalistas olímpicas, denunciaram Larry Nassar por abuso sexual. Cerca de 140 garotas podem ter sido abusadas pelo médico da equipe de ginástica artística dos EUA durante as duas décadas em que ele esteve nesse cargo. A primeira denúncia teria acontecido ainda em 2016, mas só agora, após o grande alcance da campanha #MeToo, é que o processo está finalmente sendo noticiado com a gravidade que lhe é devida.

O médico Larry Nassar está sendo chamado de o Harvey Wienstein do esporte olímpico. Uma de suas vítimas, a atleta Chelsea Markham, cometeu sucídio.