Maluco por profissão, Alexandre Ferreira de Souza fala sobre Campus Party Brasil 11

Criador armadura do personagem Homem de Ferro conta que o evento foi essencial para o seu desenvolvimento profissional

0
258
Criação de Alexandre Ferreira de Souza

Ao visitarmos a Campus Party, nos deparamos com uma armadura do personagem Homem de Ferro. Ao conversarmos com o criador do artifício, vimos que há muito além do que uma armadura por trás de Alexandre Ferreira de Souza. Confira!

  1. Qual é a sua profissão?

Minha profissão é ser muito maluco! Eu falo isso porque eu trabalho com robótica educacional, mas numa metodologia que eu criei dentro da Campus Party. É um torneio já muito fora da caixa, muito diferente dos tradicionais.  Então, é por isso que eu brinco que eu sou muito maluco! Mas, na verdade, eu sou diretor da secretaria da ciência e tecnologia em Pato Branco. Trabalho diretamente com a secretaria de educação, levando robótica para as ações do município.

  1. De onde surgiu essa sua ideia de inovar na robótica?

Dentro da Campus Party. Porque eu participo desde a primeira edição e eu sempre compartilho a emoção que eu fiz, como eu fiz, que ao longo dos eu fui percebendo que as pessoas tinham muita curiosidade, muita vontade de aprender. A partir daí eu falei: “Eu vou levar material e eu vou ensinar para as pessoas a robótica com o que eu tenho”. Aí criei uma oficina chamada Oficina de Chão, na qual ensino as pessoas com o que eu tenho e onde eu posso. Se eu posso no chão, com gente sentada no chão, elas aprendem ali.

Assim, há sete anos nasceu essa ideia dentro da Campus. Aí eu levei essa oficina, que nasceu dentro da Campus Party, para ações de fora, para crianças e adultos. Viajei pelo Brasil, passei por diversas faculdades fazendo atividades e, com tantas viagens, acabou acontecendo o convite para que eu fosse para Pato Branco tocar isso lá, nas ações do município.

  1. Então, para você, a Campus Party foi essencial no seu desenvolvimento profissional?

A Campus Party tem uma brincadeira que ela faz que é você dizer, em um vídeo de um minuto, como a Campus Party mudou a sua vida. Eu brinco e digo que um minuto para mim é pouco, não dá. Isso porque minha vida mudou tanto e, graças ao resultado disso, hoje eu consigo ajudar a abrir os olhos de diversas crianças, adolescentes e adultos. A robótica pode ser mais simples do que eles imaginavam e criar uma nova perspectiva de acesso à tecnologia, mesmo para as pessoas que achavam que aquilo ali era impossível.

  1. E como você acha que a robótica é aceita no Brasil? Como ela está sendo desenvolvida no País? Ela está adequada ao nível internacional?

Na verdade, sim! A gente já teve várias competições a nível internacional e vários brasileiros já se destacaram, já ganharam. A gente está andando bem nesse sentido. O que eu acredito que a gente precisa para criar uma cultura tecnológica mais forte, é que exista cultura tecnológica de hardware livre, software livre em todas as cidades, em todos os locais e todo mundo conversando entre si. Compartilhar informação. Porque, enquanto não houver um compartilhamento geral, de verdade, nós vamos ter apenas algumas cidades que estão despontando e não o Brasil como um todo.

Então, eu acho que a gente precisa criar a cultura tecnológica verdadeiramente. A gente precisa fazer, testar, aprender, compartilhar os erros, viver essas experiências.  Eu acho que, para o Brasil, o que falta é o verdadeiro compartilhamento do espirito maker, não maker fechado dentro de uma faculdade, mas o maker aberto para todos. Para alunos de faculdade, aluno municipal, aluno estadual, ex-alunos de faculdades. Quando a gente tiver essas pessoas interagindo em um maker space, a gente vai despontar.

  1. Pode nos contar um pouco sobre o seu campo de atuação?

Na verdade, meu campo é voltado para a educação, relacionando robótica e educação. Abro a robótica para todos, mostro que ela é acessível para qualquer um. Eu acho que a gente, mais do que ensinar só na educação, a precisa mostrar que o ramo é acessível para todos. Mas hoje eu atuo mais especificamente com a educação e também com casemod, que é a modificação do gabinete envolvendo robótica.

  1. Existe uma competição de casemod?

Isso! De gabinetes de computador modificados. Existem aqueles que fazem a criação do próprio gabinete, como meu homem de ferro. É um gabinete de computador. E tem vários outros projetos aqui, como a lanterna do lanterna verde, o Minion, uma nave espacial, o Sentinela, do Matrix, a arma do quinto elemento e muitos outros projetos.

Então, o case mode não é só uma modificação de gabinete, mas também a criação deste. A competição, que já está acontecendo, vai se encerrar no sábado à tarde e nós temos quase 30 inscritos. Eu fico muito feliz com isso, porque, na verdade, eu sou o curador na área de casemod, eu sou o responsável por essa competição, por trazer alguns parceiros para apoiarem isso, patrocinarem a área e, cada vez mais, trazer pessoas para a área. Quanto mais pessoas aprenderem, mais pessoas produzirem, e mais a gente compartilhar, mais forte se torna a própria comunidade.