Pais modernos se deparam com novos conceitos de criação

0
125
pais modernos

Os pais modernos enfrentam cada vez mais desafios que gerações anteriores não tinham. Novos conceitos de criação surgiram nos últimos anos, alguns repaginados, outros inovadores. Muitos se confundem com os diversos métodos disponíveis e é preciso fazer uma triagem daqueles que mais se adequam à realidade de cada família. Mas esses novos conceitos prometem fortalecer o vínculo afetivo entre cuidadores e crianças, criando também uma base mais sólida e reduzindo ou melhorando a ansiedade que surge ao se embrenhar na maternidade/paternidade.

Existem diversas alternativas aos métodos tradicionais, embora muitas delas são repassadas de forma superficial e de forma impositória. Não é preciso adotar todas, mas vale a pena dar uma olhada mais atenta ao que anda rolando por aí. As dicas vão desde a concepção, passando pela gestação, cuidados com os recém-nascidos e a educação dos filhos. Quais alternativas mais se encaixam na sua realidade? Confira alguns desses conceitos:

Gestação monitorada com Enfermeiras Obstétricas e sem ultrassom mensal:

Ainda é muito comum a atençao básica à gravidez realizada apenas por médicos obstetras no Brasil. Atualmente, quando se desconfia de uma gravidez, as mulheres são orientadas a buscar um obstetra para confirmar a gestação através de um exame de sangue. Mas essa não é a regra nos países desenvolvidos, por exemplo. Basta um exame de farmácia positivo para se iniciar o prénatal. Outra diferença está no próprio monitoramento mensal, feito apenas por enfermeiras obstétricas treinadas para acompanhar a gestante de baixo risco até o nascimento do bebê e da placenta, assim como o pós-parto sem intercorrências. Este tipo de atenção está ganhando força no Brasil, seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde. O excesso de ultrassons na gestação também é questionado, sendo preferível uma bateria de exames não invasivos (como um histórico completo da gestante e o exame de urina mensal para descartar problemas como infecção urinária).

Parto normal:

Considerado o vilão no número de mortes maternas até há bem pouco tempo, o parto normal volta à discussão como sendo um dos métodos mais seguros para o nascimento dos filhos em gestações de baixo risco. O Brasil é campeão mundial de cesáreas realizadas, contando com 90% de nascimentos realizados através de cirurgia abdominal na rede privada de saúde. A OMS recomenda que apenas 30% dos nascimentos sejam realizados através de cesáreas, para abranger todas as indicações reais em que mãe e/ou bebê corram risco de vida, como a eclâmpsia (a pré-eclâmpsia ainda permite um parto normal hospitalar), placenta prévia total (quando a placenta bloqueia totalmente o canal de nascimento), bebê transverso, herpes ativa, ruptura total do cordão umbilical, descolamento de placenta. Gestantes de baixo risco podem, inclusive, optar pelo parto domiciliar planejado ou em casas de parto. Quem tem transplante de órgãos, cardiopatias, diabetes (gestacional) e gravidez gemelar, porém, estarão mais seguras em partos hospitalares.

A hora de Ouro: é a primeira hora de vida do bebê, quando a mãe pode (e deve) optar pelo contato pele a pele com o recém-nascido para ajudar na manutenção da temperatura corporal, de preferência com o cordão umbilical ainda ligado, para transferir o sangue da placenta após o parto. Segundo pesquisas, adiar o corte do cordão por apenas 10 minutos supri as necessidades de ferro da criança pelos primeiros três anos de vida. Algumas mães podem ainda optar pelo parto de lótus, que consiste em manter o cordão ligado ao bebê até que este solte espontâneamente (o que pode ocorrer entre 4-6 dias após o nascimento). É ainda na hora de ouro que as mães são estimuladas a amamentarem para reforçar o vínculo, estabelecer o fluxo de leite e facilitar a descida da placenta. Alojamento conjunto (em caso de parto hospitalar) também é recomendado para que a hora de ouro seja bem sucedida.

Amamentação:

Sempre que possível, a amamentação deve ser estimulada. O leite materno é o único alimento que a criança precisa até os 6 meses de idade. Nada de água, sucos, chás ou sopinhas. É um alimento completo, que inclusive protege os bebês de infecções e doenças diversas. Também nao precisa de chupeta, que pode, inclusive, atrapalhar a amamentação.

Fralda de pano moderna/higiene natural:

A fralda de pano moderna possui botões de pressão dos lados e as melhores podem ser usadas desde o nascimento até o desfralde, mesmo que ocorra apenas aos 3/4 anos. Com enchimentos absorventes, ela pode reter xixi e coco tão bem quanto as fraldas descartáveis e é mais correta do ponto de vista ecológico, além de ser mais econômica a longo prazo. Já a higiene natural é um método antigo, usado para que a criança aprenda naturalmente a controlar o xixi e coco. Pode ser começado desde o primeiro dia de vida ou até dois meses de idade. As crianças sem fralda podem dar sinais de que querem evacuar e os pais agem de acordo. Muitas podem aprender a usar um pinico ou o vaso antes dos 18 meses.

Cama compartilhada:

Em vez de quarto do bebê, os pais modernos podem optar por um berço acoplado à cama dos adultos ou até mesmo dormir com a mãe, na amamentação. As mamadas noturnas podem proporcionar segurança aos pequenos e auxiliam o descanso da lactente. A cama compartilhada não prejudica a amamentação e também pode ser feita com crianças que usam mamadeira, ou copinhos e colheres de alimentação. Também não é preciso estabelecer uma idade definitiva para a criança dormir em seu próprio quarto. Cabe aos pais e à criança decidirem quando estão prontos para isso.

Slingagem:

O sling é um pano comprido, amarrado em volta do corpo da criança e de um de seus cuidadores, que pode ser usado para carregar a criança tanto dentro de casa quanto na rua. É um método de transporte infantil usado há milhares de anos, já que os bebês humanos nascem, teoricamente, ligeiramente “prematuros”: não andam sozinhos, nem se seguram sozinhos, portanto precisam ser carregados para onde os progenitores forem. Também não há limite de idade para começar ou parar de usar: depende de cada família.

Criação com apego:

Em vez de palmadas corretivas, cantinho do pensamento, castigos, muitos pais modernos optam pela conversa amigável mas com limites claros, com linguagem simples, olhando nos olhos, para que as crianças entendam o que é esperado delas.

Quartos ou cômodos montessorianos:

Servem para estimular o aprendizado de forma divertida e casual. Os brinquedos das crianças e todos os objetos que elas já tem maturidade para manipular sem se machucar ficam ao seu alcance, em prateleiras, estantes, caixas. Elas interagem com o ambiente e se sentem mais à vontade para se expressarem.

Desescolarização/ensino doméstico:

Há pais modernos que podem optar por prover a educação dos filhos a partir de casa. Na maioria dos casos, esses pais possuem escolaridade mais alta e promovem o aprendizado de forma mais vivencial, viajando, levando a museus, fazendo pequenos projetos em casa, levando a aulas de esporte e arte. Outros trazem o currículo escolar para a casa, com métodos parecidos ou mais lúdicos do que na escola.

Vegetarianismo/veganismo:

Muitas vezes, parte das próprias crianças a iniciativa ou a vontade de não consumir produtos de origem animal. Quando isso acontece, muitos pais modernos optam por seguir a linha vegetariana (não consumir alimentos de origem animal) ou vegana (evitar qualquer produto advindo da exploração animal).

Alimentação sem junk food:

Existem pais modernos que não oferecem refrigerantes, chips, iogurtes, nuggets e salgadinhos aos pequenos, optando por vegetais naturais crus, frutas servidas sem adiçao de açúcar (como cobertura de chantilly ou caldas) e carnes não processadas.

Limitar o tempo de TV:

Em vez de usar a TV (ou o Tablet, telefone, computador) como “babá” dos filhos, alguns pais optam, quando podem, por passeios, idas aos parquinhos e brincadeiras mais elaboradas para que as crianças vivenciem diversas experiências.

Roupas de cor neutra e brinquedos sem distinção:

Em vez de rosa para meninas e azul para meninos, muitos pais modernos optam por roupas e modelos neutros, que amabas as crianças podem suar em qualquer ocasião para brincar à vontade, numa tentativa de desestimular esteriótipos de gênero. Os brinquedos também seguem uma linha neutra e assume que qualquer criança deve poder brincar de bonecas ou carrinhos, sem distinção, para se desfazer da ideia de que meninas só devem cuidar dos afazeres domésticos e meninos podem escolher qualquer carreira.

E ai? Ficou em dúvida com alguns desses conceitos? Possui outros que não foram abordados e que mereciam destaque? Escreva nos comentários da matéria, nos mandando o seu feedback. E não esqueça que você é o melhor pai/mãe que seu filho poderia ter!