Sem dúvidas, um dos passeios mais interessantes que você pode fazer enquanto estiver em Cusco é o tour guiado pelo Vale Sagrado dos Incas. Geralmente, as pessoas fazem esse tour no primeiro dia em Cusco, antes de irem para Machu Picchu. Vi algumas pessoas combinando com o motorista para ficarem em Ollantaytambo no final do dia para pegarem o trem para Machu Picchu Pueblo.

Nós decidimos fazer o contrário: optamos por fazer todos os passeios (incluindo os de aventuras) e no final da viagem que já estávamos cansados, fizemos o tour no Vale Sagrado. Confesso que gostei vem mais de fazer dessa maneira, assim você consegue ter uma dimensão mais ampla de toda a história e cultura que o Peru pode oferecer.

Existem várias empresas que oferecem esse passeio e a minha dica é pesquisar bastante em Cusco. Visitamos pelo menos seis agências e decidimos fechar com a Kallpa Travel. O valor por pessoa saiu 70 soles e incluía transporte, guia e almoço e não incluía os ingressos.

O local de encontro foi na Praça de Armas de Cusco às 7:30 da manhã. Uma guia nos esperava e nos encaminhou para uma van que iria nos levar a todos os passeios. Informação importante: sempre leve o seu passaporte, pois você vai precisar para adquirir os ingressos (boleto turístico).

1ª parada: Laguna Piuray

Vale Sagrado
Laguna Piuray

O nosso passeio começou na Laguna Piuray, um destino que começou a ser incluído no tour do Vale Sagrado há pouco tempo. Essa Laguna está localizada no distrito de Chinchero, onde conhecemos uma propriedade onde cultivam as papas (batatas) e realizamos a observação da geografia do local e observação das aves silvestres. Ficamos aproximadamente uns 20 minutos nesse local e partimos para o Centro Histórico de Chinchero.

Vale Sagrado
Plantação de batatas na Laguna Piuray

2ª parada: Chinchero

Quando chegamos à Chinchero, fomos encaminhados para uma fila para adquirir o boleto turístico, que são os ingressos para a entrada no Vale Sagrado. Existem dois tipos de ingressos: boleto turístico completo e boleto turístico parcial.

Como já estávamos no final da viagem, optamos pelo parcial que custou 70 soles e dava direito à entrada de quatro locais: Chinchero, Moray, Ollantaytambo e Pisac que podem ser utilizados em até dois dias.

Vale Sagrado
Igreja Colonial de Chinchero

Após adquirir as entradas, começamos a subida para o Centro Histórico, repleto de lojas e ambulantes dispostos a venderem qualquer coisa para os turistas. Quando chegamos, foi uma surpresa: uma bela Igreja colonial (Igreja da Virgem de Navidade) em meio aos terraços peruanos. Durante a conquista dos povos peruanos, os espanhóis aproveitaram as bases das construções incas para erguerem seus prédios.

Não é permitido fotografar no interior da Igreja, pois é ornada com pinturas pelas paredes realizadas pelo artista local Diego Quispe Tito. Como era muito difícil importar os azulejos e tapeçaria da Europa, esse artista reproduziu com tinta a decoração na parede.  Antes da colonização espanhola, essa cidade servia como ponto de parada e pernoite para as pessoas que viajavam de Cusco para Machu Picchu.

Vale Sagrado
Vista dos Terraços agrícolas em Chinchero

Abaixo da Igreja, é possível contemplar a paisagem e os terraços usados na agricultura do povo peruano. O guia nos explicou que existe um projeto para a construção de um aeroporto internacional na região.

Após essa visitação, fomos encaminhados para uma verdadeira aula sobre os tecidos peruanos. Podemos analisar a diferença entre a lã de ovelha e a lã de alpaca, como fazem os fios de maneira artesanal e o tingimento natural desses fios.

Vale Sagrado
Demonstração de como tingir tecidos com corante natural

A demonstração é realizada em espanhol e inglês, mas o guia nos explicou que o povoado se comunica em quéchua, a língua dos povos na época Inca.

Que experiência!

3ª parada: Moray

O nosso terceiro ponto de parada foi Moray e fiquei impressionada: esse local é um conjunto de laboratórios agrícolas dos quechuas/incas. Mas, como funcionava? Simples: no círculo menor é onde havia maior concentração de calor. Quanto maior a altitude do círculo, mais frio.

Vale Sagrado
Conjunto arqueológico de Moray

A mesma planta era cultivada em extratos diferentes, assim eles conseguiam analisar em qual ambiente os produtos desenvolviam melhor. O guia também nos explicou que podiam usar diferentes tipos de adubos nos terraços e desenvolver diferentes espécies de maiz (milho) e papas (batatas).

Vale Sagrado
Conjunto arqueológico de Moray

Visitamos os três laboratórios e muitos locais ainda estão passando por revitalização pelo Ministério da Cultura, pois é preciso fazer a limpeza e em alguns pontos, a restauração desses terraços.

4ª parada: Salineras de Maras

Depois de visitar Moray, partimos em direção às Salineras de Maras. Esse passeio não está incluso no boleto turístico do Vale Sagrado, mas você pode adquirir os ingressos no local e custa 10 soles por pessoa.

Mas, o que esse lugar tem de tão especial? São mais de 3 mil pequenas piscinas que são abastecidas com água salgada da montanha. Depois que todos os pequenos poços estão cheios, interrompe-se o abastecimento e espera-se a evaporação para coletar o sal. É um dos quatro locais do Mundo onde é possível coletar o sal rosa. É incrível!

Chegamos em uma época em que a água já estava evaporando e era possível ver as pedras de sal se formando na superfície dos poços. Cada família da região comanda uma quantidade de poços e vendem o sal na feira local.

Vale Sagrado
Salineras de Maras

A cada parte do passeio ao Vale Sagrado, você vai descobrindo o quão incrível é o Peru!

5ª parada: Ollantaytambo

Depois de visitar as Salineras de Maras, partimos para Ollantaytambo, onde iniciamos com almoço e depois partimos para visitar as ruínas arqueológicas da cidade. Para chegar nas ruínas, passamos por uma feira de artesanato (super comum na região) e vamos subindo os terraços para descobrir sobre arquitetura e costumes dos quéchuas/incas.

Feira de artesanato em Ollantaytambo

Nessa parte do passeio, muitas pessoas deixaram o grupo, pois queriam pegar o trem para Machu Picchu. Como já havíamos visitado a cidade Sagrada (você pode clicar aqui), continuamos com o restante do Grupo.

Vale Sagrado
Terraços de Ollantaytambo

A vista do alto dos terraços é incrível!

Última parada: Pisac

A última parte do passeio e uma das mais surpreendentes é a Pisac e confesso que vi muitas semelhanças com Machu Picchu.

Vale Sagrado
Vista do Vale Sagrado em Pisac

Essas ruínas estão nas montanhas e você consegue visitar as áreas de moradia e as áreas de agricultura, o que rende registros incríveis.

Vale Sagrado
Sítio arqueológico de Pisac

Nem preciso falar da vista do Vale Sagrado. Nessa parte do passeio, o que mais chamou a atenção foi a vista das áreas de sepultamento nas montanhas, que de acordo com o Guia, foram saqueadas pelos espanhóis em busca dos tesouros enterrados junto com os corpos. Mas, ainda é possível ver, mesmo que de longe, o cemitério quéchua/inca.

Vale Sagrado
Sepultamento nas montanhas de Pisac

Depois de visitar Pisac, retornamos para Cusco e chegamos na Praça de Armas por volta das 19:30h. Foi um dia inesquecível e acredito que foi a melhor maneira de nos despedirmos da região.

Até a próxima!