Qual é a desse Huawei P30 Pro?

0
14

Vamos lá, fale em voz alta: JÁ DÁ PRA COMPARAR TOP DE LINHA LANÇADO NO BRASIL COM UM HUAWEI! Sim, dá. Se até então comparar smartphone lançado no Brasil com lançamento chinês era loucura (já que comprando importado você abre mão da garantia, de qualquer suporte da empresa e reza pro celular chegar inteiro pelos correios depois de quase dois meses da compra), com o retorno da divisão de smartphones da Huawei pro Brasil isso continua exatamente como antes, mas com ela fora deste comparativo non-sense.

O carro chefe deste retorno é o P30 Pro e eu passei os últimos 30 dias com ele como meu celular. Ele e mais nenhum outro no bolso, longe do meu aparelho pessoal. Exatamente como fiz com o Galaxy S10 Plus no mês passado. Mais do que um review, eu conto aqui a minha experiência com o P30 Pro, o que ele buga, o que impressiona, o que chama atenção de leve e o que me irritou. Ele tem tudo isso e me acompanhe nos próximos parágrafos que eu conto em detalhes.

Bora lá.

Primeiro contato

Logo que você compra o P30 Pro, percebe que ele não é bem um smartphone de baixo custo e ele é caro até mesmo fora do Brasil – viu só? A caixa é branca e com letras em uma espécie de dourado que quer ser ouro rose, que brilha em vários ângulos. Nela existe o aparelho, uma capa de silicone que serve pra você encontrar alguma capa pra cobrir toda o visual da traseira azul belíssima do celular, fones de ouvido com cara de quero-ser-fone-do-iPhone, cabo USB e um carregador porreta de 40 watts e que eu falo mais sobre ele depois.

Tirou da caixa? Então olhe só pra frente. Ele é tipo um Galaxy S10+, só que com o topo e a parte inferior retas. Assim como o topo de linha da Samsung, o P30 Pro é enorme e este recurso eu nunca coloco na lista de pontos essenciais. Prefiro aparelhos menores, como é o caso do iPhone XR, Galaxy S10e e toda a linha Compact da Sony e seus Xperia. São potentes, hardware mais poderoso do mercado e cabem na mão.

Vai usar com uma só mão? Não vai não

Todo o restante é muito mais do mesmo, mas o que muda e que pode ser uma péssima ideia pra quem quer mais espaço, é a gaveta pro chip da operadora. Ela é inteligente por colocar cada coisa de um lado e transformar o visual em um sanduíche, só que enquanto de um lado fica o SIM card, do outro vai só um cartão de memória chamado NM Card e que é criação da Huawei.

Isso significa que todos os cartões de memória que você deve ter em casa, junto de todos os que são vendidos oficialmente no Brasil, não cabem aqui. A marca chinesa resolveu que criaria seu próprio padrão, que é do tamanho de um Nano-SIM e que não é vendido no Brasil – não por meios oficiais. Tudo bem que o P30 Pro tem 256 GB de memória interna e isso é muito mais do que o suficiente pra 99% das pessoas, mas tem aquele 1% que vai ter que ter boa sorte pra encontrar o tal NM Card.

NM Card pode ser bom se você encontrar um

Câmeras, quatro três pra você escolher

O visual do P30 Pro não é seu carro-chefe, nem mesmo o poder de fogo potente – isso é o que se espera, não é extra. Já as câmeras…rapaz, eu ainda chamo muito do que está aqui de bruxaria. A configuração de câmeras traseiras fica em três câmeras que você escolhe e uma quarta que fica lá só pra algumas coisas. Então temos um sensor principal de 40 megapixels, lente de f/1,6 e pixels diferentes: no lugar de cores primárias (você lembra quais são, né?), ele trabalha com vermelho, amarelo e azul.

A quarta lente fica no furo abaixo do flash

O outro é de 20 megapixels, ultrawide e de abertura f/2,2. Depois vem a terceira câmera e que faz zoom de cinco vezes, com 8 megapixels e abertura de f/3,4. O último, que você não escolhe, é dedicado pra medir a distância dos objetos pra fazer modo retrato com fundo desfocado da melhor forma possível.

O resultado é: fotos não tem qualquer vontade de trabalhar com cores ou luzes reais, mas quem se importa? As fotos ficam lindas, mesmo com algumas reclamações de céu esverdeado (eu passei muito tempo pra entender e encontrar isso). Se você é fotógrafo e quer pureza, pode ficar desanimado, mas eu juro que pra todo restante da população mundial da Terra-que-não-é-plana as fotos ficam incríveis.

Foto em macro fica uma belezinha

Eu consegui desligar o modo noturno automático!

Ruído? Quase que nunca, menos até do que os Galaxy S10 e iPhones XS. Cores ficam mais pra tonalidade quente (talvez por conta do pixel amarelo na composição das fotos) e o HDR tá escondido ao ponto de que eu não senti falta dele.

Modo de fundo desfocado de noite? Tem sim senhor

Pra tocar o barco a câmera utiliza um modo de inteligência artificial, que realmente altera coisas e faz muito além do que aquilo que a LG inventou pros aparelhos mais recentes. Se ele detecta um rosto em foco, muda pro modo retrato e embaça o fundo. Se percebe que tem Lua, muda pro modo Lua. Se detecta que tá tudo escuro, ativa o modo noturno e faz magia. Ele muda as coisas de forma forçada, mas é só tocar no ícone pulsante que tudo isso para.

Modo Lua é tecnologia ou feitiçaria?

Este modo é um dos dois que mais chamam atenção, se você não colocar o zoom cavalar de 10 vezes que é possível fazer. A Huawei colocou algumas instruções na inteligência artificial pra entender que aquele ponto luminoso sem qualquer informação é a Lua. Uma vez detectada, o P30 Pro muda tempo de exposição, ISO e outros pontos pra fazer a Lua ter cara de Lua. É assim, como no GIF abaixo.

Muita polêmica foi levantada sobre a real imagem, que pode ser um tipo de filtro como o que é inserido em selfies do Instagram – desculpe, eu não utilizo o Snapchat. Em todos os momentos eu fui convencido que a teoria é tipo falar que Pepsi é adoçada com fetos humanos, ou que a Terra é plana e que Einstein errou, mas em um momento eu parei pra pensar: quando eu fiz a foto que veio depois do GIF, que está aqui abaixo.

Neste dia a Lua estava com nuvens finas passando, o que deixaria o nosso querido astro menos focado. A foto ficou perfeita, com luz branca e não amarelada. Eu senti que existe uma mudança até nas cores e um sharpening forte, mas ainda não creio em um filtro que cobre a Lua por completo. Ponto pra ela (e pra Huawei).

Visão noturna vai além do alcance

O segundo ponto forte aqui fica no modo de visão noturna. Repare bem no GIF que está abaixo. Eu fiz a foto com a luz ambiente que o app de câmera vê, mas depois vem o resultado do modo noturno.

De um completo breu, escuridão, sombra, blecaute, apagão ou qualquer outro sinônimo pra não-tô-vendo-quase-nada, o aparelho me mostra uma foto amarelada (pixel amarelo novamente?) e que me faz pensar que a foto tem efeito sépia e foi tirada de tarde. Detalhe: a foto foi tirada depois das 21h e era em São Paulo, não em algum lugar perto dos polos e durante o verão deles.

A foto abaixo foi tirada também numa escuridão e com pouquíssimos pontos de luz fracos, mas parece que foi num fim de tarde. Existem informações sobre cores, tonalidades e tudo é visível sem qualquer problema.

Eu vi assim

E ficou assim

Perfeito pra quando você quer impressionar, mas completamente longe do que qualquer olho humano teria visto. Talvez o olho deste gato, fotografado com o P30 Pro, deve ver como o celular viu.

O que me incomodou foi que, durante quase que metade do tempo de testes, o software insistia em fazer a foto do escuro em modo noturno. Mesmo sem ele ativado e sem a inteligência artificial, toda noite virava fim de tarde e isso me irritou. Sorte que depois de um update, o controle sobre a foto apareceu e desligar a IA, ou não ativar modo noturno, começou a fazer uma foto escura que é escura de verdade.

Zoom até o vizinho

Fechando estes comentários pitorescos, tem o zoom. Por meios óticos o P30 Pro faz até cinco vezes e fica tudo lindo, mas pode cortar a imagem de 40 megapixels pra uma foto de 10 megapixels e aplicar as cinco vezes de aproximação ótica, pra criar um zoom de 10 vezes e que quase não apresenta perda de qualidade – com nome comercial de zoom híbrido. A inteligência artificial entra em ação e faz tudo ficar ainda mais bonito.

Lente ultrawide

Lente normal, zoom de 1x

Lente com zoom ótico de 5x

Zoom híbrido, com 10x

Zoom máximo de 50x

Dá pra ir além, até 50 vezes, só que neste ponto é puramente digital e qualquer zoom assim fica horrível e sem qualquer uso. É mais pra impressionar os amigos e colocar no Instagram, do que pra ler alguma coisa.

Lente ultrawide, ou 0,5x

Zoom máximo, com 50x

A câmera frontal é de 32 megapixels e a abertura é de f/2,0. É boa o suficiente pra qualquer rede social e pra dar detalhes de sobra na foto com os amigos no churrasco. Seu único ponto que pode ser fraco é que ela não filma em 4K, o que pra mim não é nenhum problema. Ah, sobre o zoom: só não aponte pro vizinho enquanto ele toma banho, ok? Não é legal faz isso.

Software escorrega, mas pouco

Chega de câmera e vamos pro software. O smartphone roda com a EMUI, que esconde muito bem o Android 9 Pie que você pode estar acostumado. Assim como a imensidão dos smartphones chineses, o P30 Pro tenta ser um iPhone nesta parte e força a amizade em alguns pontos. O primeiro deles é o formato dos ícones que são todos quadrados e com cantos arredondados, além da ausência de bandeja pros apps, que ficam todos jogados nas telas iniciais (exatamente como o iPhone sempre fez), mas ainda bem que lá no meio das configurações dá pra arrumar isso e adicionar um local específico pros aplicativos.

Assim como a caixa, tudo nos menus é branco e isso vai na contramão do popular modo noturno, que existe aqui sim. Ele está escondido dentro das configurações de bateria e com nome de “Esmaecer cores da interface”, que poderia ser apenas “modo noturno”. Ele não esmaece, mas sim aumenta o contraste ao fazer o branco virar preto.

Por fim, algumas coisas são estranhas, como a forma de organizar as configurações, que fica fora da ordem que é utilizada pelo Android puro e algumas traduções que também são muito diferentes, como “O telefone agora está em ótimas condições” e que aparece de vez em quando, quando você fecha todos os apps abertos no fundo.

Ou então a forma como os apps da Huawei pedem autorização pra acessar algum recurso ou sensor. Em todo o Android, por segurança, cada função requisitada é solicitada individualmente, mas nos aplicativos da própria fabricante a solicitação é como o Android fazia antigamente, pedindo tudo de uma vez só e sem a possibilidade de desligar algo e ativar outra coisa neste momento – dá pra rever tudo que foi aceito depois e revogar o que você não quer mais.

De resto ele é inteligente, rápido e ágil. Eu gostei do que vi, mesmo com estes escorregões, que são pequenos, pouco visíveis quando comparados com algumas fabricantes que, mesmo depois de vários anos de mercado brasileiro, ainda erram a tradução e cometem erros de português na interface.

Hardware, números e tecnês

A Huawei colocou um Kirin 980 e que é feito pela própria empresa. Ele tem 8 GB pra trabalhar na RAM e foi liso em todos os momentos, mesmo quando o Android ainda inicializava as funções após ficar desligado. Não travou em nenhum jogo, app e isso sequer mudou quando muitos apps estavam no fundo – a Huawei tem o costume de matar alguns, pra economizar bateria e o desempenho agradece de tabela.

Eu joguei tudo que existe de mais pesado, como Asphalt 9, Fortnite e PUBG, sem qualquer reclamação. Tudo com configurações gráficas no máximo. Não tenho do que reclamar e o aparelho apenas faz o que se espera de um topo de linha.

A tela tem notch em forma de gota e exibe cores sem exageros, mesmo sendo uma OLED de 6,47 polegadas e com resolução Full HD+, que não me deixou desanimado em momento algum por não ser 2K, como acontece nos Galaxy S10. Ela ainda conta com leitor de impressões digitais em modo ótico, o que significa que uma câmera lê sua digital e é por isso que a tela liga os LEDs no local da leitura. Ele tem certificação IP68 e isso serve só pra poder lavar o celular com sabão, mas você também pode mergulhar em piscina de água doce por algum tempo.

Ele tem carregamento reverso e que, de forma muito calma, pode recarregar qualquer coisa que utilize o padrão QI. Na bateria são 4.200mAh e foi mais do que o suficiente pra dois dias de uso, algo que nenhum outro Android topo de linha me deu. Certamente isso aconteceu com a ajuda da tela de menor resolução do que a concorrência e com o corte de apps que rodam no fundo por muito tempo.

Carregador apressado

Além de autonomia maior do que seus rivais, o carregador é um monstro. Seja pelo tamanho físico, ou pela quantidade de energia que ele envia pra bateria. É tão rápido que quando ele está plugado, a interface de usuário exibe a contagem da porcentagem com duas casas depois da vírgula. E a coisa é rápida.

É rápida o suficiente pra você chegar em casa, colocar na tomada, tomar um café, ir pro banho e tirar da tomada 30 minutos depois ter mais de 70% da carga, que antes estava VAZIA – sim, zero porcento de energia. Pra completar 100% eu levei 58 minutos de tomada. Fico com medo de tanta energia entrando de uma vez só, quando penso na vida útil depois de algumas centenas de recargas. Coisa que só posso comentar se ficar com ele por mais tempo, o que não vai acontecer – ao menos a Huawei jura que ele não sofre com isso não.

Junta tudo e faz jus?

Faz e faz muito. Comparando com seu principal concorrente no mundo Android, que é o Galaxy S10+ (já que a LG ainda não lançou o G8 no Brasil e a Asus tá lá em Valência), o P30 Pro consegue tirar fotos melhores em todas as ocasiões, além de aplicar zoom ótico de cinco vezes e um híbrido maneiro de 10 vezes. Ele é tão veloz quanto, sem perder em desempenho em nenhum momento e ainda oferece o dobro de memória interna – o S10+ começa em 128 GB e o P30 Pro entrega 256 GB).

No lançamento, a Huawei comentou que oferece dois anos de garantia para o P30 Pro e isso é o dobro da Samsung. Claro que este pós-venda da Huawei é novato e a Samsung já sabe fazer direito isso por aqui faz tempo. Este pode ser um ponto positivo para a coreana. A tela é basicamente a mesma pros dois lados (se você não ligar para a resolução) e a autonomia do P30 Pro é superior, além de recarregar a bateria de forma muito mais veloz.

O Galaxy S10+ acaba ganhando nos problemas com os Estados Unidos que a Huawei entrenta e a Samsung não, o que é um mar de incertezas sobre Android e Huawei. Ganha ao não criar cartão de memória diferente, trabalhar com o microSD velho de guerra e por estar, na data de publicação deste review (20 de maio de 2019) R$400 mais barato do que o P30 Pro. Mas, com tantos pontos positivos indo mais pro lado da marca chinesa do que da coreana, pra quem já vai pagar R$ 4,5 mil em um celular, pouco importa gastar R$ 400 extras e pagar R$ 4,9 mil no P30 Pro.

Hoje, agora, eu iria com o P30 Pro e ele faz jus sim.

Especificações técnicas – Huawei P30 Pro

  • Tela: OLED de 6,47 polegadas com resolução de 2340×1080 pixels.
  • Processador: octa-core Huawei Kirin 980 de 2,6 GHz;
  • Memória interna: 256 GB;
  • Memória externa: suporte a cartão NM Card de até 256 GB;
  • Memória RAM: 8 GB LPDDR4X;
  • GPU: Mali-G76 MP10;
  • Câmera frontal:
    • 32 megapixels f/2,0;
  • Câmeras traseiras:
    • Principal: 40 megapixels f/1,6 com estabilização óptica de imagem;
    • Telefoto: 8 megapixels f/3,4 com estabilização óptica de imagem;
    • Ultrawide: 20 megapixels f/2,2;
  • Conectividade: 3G, 4G, 4G+, Wi-Fi 802.11a/b/g/n/ac, GPS, Galileo, Glonass, BeiDou, QZSS, Bluetooth 5.0, USB-C, NFC, infravermelho;
  • Dimensões: 158×73,4×8,4 mm;
  • Bateria: 4.200 mAh;
  • Peso: 192 gramas;
  • Plataforma: Android 9.0 Pie;
  • Sensores: bússola, proximidade, luminosidade, giroscópio, leitor de impressões digitais óptico.

O post Qual é a desse Huawei P30 Pro? apareceu primeiro em Meio Bit.