Qual é a desse Kindle Paperwhite (2019)? [review]

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Eu já contei pra vocês como que foi a minha vida durante 30 dias com o Galaxy S10+, iPhone XR e até do Huawei P30 Pro, com spoilers sobre muita coisa de um topo de linha. Agora é a vez do Kindle Paperwhite, que tá comigo faz mais de três meses e entrou neste “qual é a desse?”, que você pode chamar de review ou até mesmo resenha. Enfim, vale a pena gastar dinheiro num aparelho que só serve pra ler livros? Vem comigo que eu te explico.

Serve muito bem pra livros, mas faz coisas extras

O Kindle é o tipo de produto que muita gente já ouviu, já viu alguém utilizando na rua e ainda me para nas redes sociais pra perguntar se isso é interessante pra ler livros. Eu posso te dar duas respostas, sendo uma curta e direta, enquanto que a outra vai navegar por um monte de parágrafos deste texto.

Kindle Paperwhite (2019) Traseira

Traseira é curvada, confortável nas mãos

A primeira curta e direta é: sim, vale a pena. A segunda é: sim, mas você precisa gostar de ler livros antes de sair comprando um leitor que serve basicamente pra isso. Ele faz mais? Faz, lê arquivos PDF, mas seu celular de marca ching-ling-que-custa-menos-do-que-o-modelo-vendido-no-Brasil-e-é-melhor, faz isso de forma mais prática e sem depender de hardware ou bateria extra. Se seu uso seria só pra ler PDF, só continue se você quiser fazer isso com conforto – que tem seu custo.

Começando com os livros, você precisa saber da máxima que é necessária pra qualquer Kindle: sua única loja será a Amazon. Ela é boa? Sim, encontrei tudo que pesquisei. Dá pra comprar livro de outra livraria? Não. A Amazon tem praticamente qualquer livro que você quiser procurar, indo de ficção, esportes, jornalismo e até lenga lenga. Inclua nesse pacote a própria distribuidora da Amazon, que publica livros de autores pequenos, como eu e você – ainda vou falar sobre a vida amorosa de xiaominions e terraplanistas num livro.

Kindle Paperwhite 2019 na mao

Reconheço que sou um leitor que não devora livros (dá pra ver na tela da minha biblioteca do leitor), mas mesmo assim me agrada muito poder ler na rua, sem o livro físico e sem o medo recorrente de São Paulo e que envolve a minha segurança de portar um eletrônico que chama atenção. O Kindle chama menos do que um tablet e a dor de um Kindle roubado será infinitamente menor do que de um iPad. Se for deste Kindle, o valor perdido em um assalto será quase seis vezes menor do que o iPad mais barato do Brasil em 2019, que custa R$ 2.799.

Nele eu li 1984, Revolução dos Bichos, Medo e Delírio em Las Vegas, Hells Angels, O Hobbit e o livro do querido Lito, Onde Morrem os Aviões. Todos devidamente comprados e que, como estão na minha conta da Amazon, vão pra qualquer lugar que rode o app do Kindle, pros leitores Kindle e até pro navegador da web – essa última é uma forma horrível pra ler, com o pior conforto possível pros olhos.

Kindle Paperwhite zoom

Maior densidade exibe detalhes das folhas da árvore com facilidade

Também testei arquivos PDF, que sempre rodam de forma ruim. Eles ficam desproporcionais e o movimento pra aproximação e retorno é lento. Este problema não é de hoje e concorrentes como Kobo conseguem lidar melhor com este tipo de arquivo.

Entre ele e o Kindle mais básico, o que muda?

Essa é a questão central deste review, já que você pode gastar quase que a metade do dinheiro de um Paperwhite pra ler em um Kindle normal, que roda os mesmos livros, da mesma loja e sem qualquer limitação. A diferença é o conforto visual, a semelhança entre o que vai na tela e o que seria a página de um livro de verdade, já que a resolução de tela do Paperwhite é quase duas vezes maior do que no Kindle simples, com 167 ppi. O Paperwhite exibe 300 ppi e essa é a mesma densidade de pontos por polegada de livros e revistas. Entendeu?

O modelo simples é menos próximo do que um papel de verdade vai te entregar, mas isso não significa que você vai ler quadrados no lugar das letras. Só é bem mais confortável no Paperwhite e isso faz diferença em longas leituras. Tem também a proteção contra água e poeira.

Neste momento você pensou: “ah vá, agora você vai ler dentro da piscina é?” Não, calma! A ideia não é que você faça leitura de Agatha Christie ou Clarice Lispector enquanto mergulha com tucunarés. É pra dar segurança e colocar mais recursos que façam jus ao custo extra.

Eu tenho smartphones que podem ser mergulhados faz tempo, mas o único uso real que faço é poder limpar a tela com água corrente e esponja macia. É exatamente isso que penso deste Kindle: tá lendo e caiu ketchup da pizza dos cariocas ou purê de batata do cachorro quente de um paulista? Levante, vá até o banheiro e coloque o Kindle Paperwhite debaixo da torneira, lave com água e seque. Pronto, novo em folha e até sem marcas de dedo.

Como em qualquer Kindle, o Paperwhite não tem cores e isso não muda a leitura pra quem não quer ver figuras. Eu não falo em tom pejorativo, já que cores em um texto preto em fundo branco não faz qualquer sentido, né? Esta variante deste tipo de leitor era a primeira da linha de Kindles com luz pra leitura de noite, mas agora até o modelo mais básico já conta com isso.

Kindle Paperwhite 2019 tela ligada

Brilho dos LEDs é alto

Comparado ao Kindle mais simples, o Paperwhite tem um LED extra (são 5, contra 4 no outro modelo) e isso garante uma iluminação mais uniforme, que sequer deixa área com menos luz. Realmente parece que tem uma lâmpada bem em cima de uma página, sem sombras.

A frente é feita em um vidro áspero e que tem proteção contra reflexos, mas este é um acabamento que está em todos os Kindles vendidos pela Amazon. Mesmo com luz na frente dele, qualquer Kindle faz a luminosidade refletir na tela e ela trabalha exatamente como um papel faz.

Comparando com a geração anterior, essa ganhou mais memória interna. Na verdade a versão mais simples do Paperwhite já vem com o dobro dos 4 GB anteriores, com opção pra 32 GB. Tanto espaço assim faz sentido pra quem escutar audiolivros da Audible, que é uma empresa da Amazon e que é focada neste tipo de conteúdo. Infelizmente a conta brasileira da Amazon não oferece acesso aos livros da Audible, mas uma conta americana resolve isso e os livros podem ser baixados até mesmo por aqui.

Kindle Paperwhite 2019 entrada microusb

Bateria é recarregada por uma porta microUSB

A bateria segue em “semanas de uso”, como a própria Amazon diz. Pro review, que levou três meses, eu só carreguei uma vez. Como a tela utiliza uma espécie de tinta, ela apenas gasta energia pra rearranjar os pontos e formar a nova informação – como a próxima página do livro. Ela é lenta de propósito e isso faz parte da imensa economia energética, o que faz todo sentido possível. Quer imagens com muito mais fluidez? Compre um tablet ou um smartphone.

Tá, vale o investimento?

Volto pro começo e repito: apenas se você gosta muito de ler livros e aceita ficar com a loja da Amazon pra isso. Os preços dos livros batem com os livros físicos e em alguns momentos são mais baratos, mas você acaba levando milhares deles em um único aparelho que pesa 182 gramas, com leitura que não cansa os olhos e bateria capaz de segurar a leitura por mais de um mês inteiro.

Kindle Paperwhite 2019 hero

O Paperwhite é um pouco mais caro do que o Kindle básico, mas oferece recursos extras que valem a pena e transformam ele no melhor custo-benefício deste tipo de produto. Por um troco extra você leva o dobro de memória, possibilidade de leitura noturna com mais conforto, tela que exibe páginas do livro com maior semelhança com a página de verdade e que só tem um problema: o reconhecimento do toque não é tão preciso, principalmente se você está utilizando o teclado virtual.

No frigir dos ovos, mesmo pra uma pessoa que não devora livros, vale a pena. Se você precisa de arquivos PDF de apostilas da faculdade, ou algo do tipo, talvez faça mais sentido olhar o Kobo, que é vendido no Brasil pela Livraria Cultura.

Ah, claro, o valor sugerido do Kindle Paperwhite é de R$ 499 para a versão de 8 GB e R$ 649 pra 32 GB, mas não é raro a Amazon aplicar alguma promoção. No momento da publicação deste review, ele custa R$ 419 e R$ 569 respectivamente.

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