Death Stranding: os devaneios de Kojima e uma possível continuação

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O dia 8 de novembro está se aproximando e então poderemos jogar aquele que poderá se tornar o maior lançamento do ano. Porém, mesmo com Hideo Kojima dando algumas declarações e até apresentando mais de uma hora da jogabilidade do Death Stranding na Tokyo Game Show, você já conseguiu entender do que se trata a nova superprodução do japonês?

Pois ao conversar com o pessoal do GameInformer, o game designer foi questionado justamente se alguém conseguiu compreender o conceito do jogo logo de cara e a resposta dada por Kojima-san serve para mostrar o quão inflado costuma ser o seu ego e como a sua mente gira  — ou pelo menos ele acredita nisso — numa rotação diferente da maioria das pessoas.

Sim, algumas pessoas. Especialmente criadores foram rápidos em entender. Como [o diretor] George Miller, que é meio que o meu mentor — meu deus. Em 2017 fui à Austrália, eu só tinha um trailer e também expliquei verbalmente para ele. O George Miller disse, ‘em todos os aspectos, você está correto. Matematicamente, psicologicamente, fisicamente, filosoficamente.’ Ele meio que começou a desenhar um diagrama, ele tinha essa teoria, então disse, ‘o que você está tentando fazer é correto.’ Eu deveria ter gravado aquilo! Deveria ter enviado para a equipe! Aquele foi um momento realmente feliz.

Kojima então concluiu dizendo que esse entendimento costuma ser mais fácil em pessoas fora da indústria de games como músicos, diretores e criadores, e que por este motivo prefere estar com elas, já que tendem a sintetizar seus pensamentos de maneira mais rápida.

Na mesma entrevista, Kojima ainda falou sobre como o Death Stranding funcionará como uma visão mais pessimista do nosso futuro, onde o nosso personagem terá que criar uma conexão entre o leste e o oeste. Para isso poderemos nos juntar a UCA (United Cities of America) e usar o serviço fornecido por eles, o que facilitará o nosso trabalho, mas ao mesmo tempo fará com que passemos a lhes dar acesso a todas as nossas informações.

Segundo o game designer, desta forma estaremos em algo parecido com o visto no livro 1984, de George Orwell e algumas pessoas preferirão não cometer um erro que já havíamos cometido no passado. Kojima então citou Donald Trump e a União Europeia para ilustrar o seu raciocínio, afirmando que a missão do jogador realmente será reconectar os Estados Unidos e caberá a nós decidir como fazer isso.

Parece confuso? Pois na minha opinião realmente é, e ao assistir o gameplay do Death Stranding, só consegui ficar ainda mais perdido com toda esta farofa idealizada pelo Kojima.

Não bastasse toda esta “viagem”, Kojima ainda tem tentando nos convencer de que o seu jogo marcará o nascimento de um novo gênero, o “Strand Games”. Porém, para que isso aconteça ele acredita que mais Death Stranding precisem ser lançados. Segundo ele, esse jogo deverá servir como o alicerce para os demais, quando será capaz de refinar a sua ideia e ele não descarta nem a possibilidade de uma versão 1.5 no futuro.

O diretor ainda falou sobre expandir a história para outras mídias, como séries para TV, tendo chegado a dizer que muitas propostas tem lhe sido feitas. No entanto, a falta de tempo será um problema com que Kojima terá que lidar e como ele já tem estudado outros projetos, pode ser que continuações nunca cheguem a existir.

Death Stranding

Isso posto, tenho que dizer que mesmo sendo um grande admirador de Hideo Kojima e do seu trabalho, tenho andado um pouco cansado desta maneira que ele tem usado para falar das suas ideias. Sim, eu acredito que o sujeito possui uma ideia de games muito diferente da maioria, com as suas obras contando com uma linguagem muito mais próxima do cinema, mas será que ele realmente precisa tanto vender a ideia de que está sempre tentando criar o Cidadão Kane dos jogos eletrônicos?

A impressão que tenho as vezes é de que nessa sua ânsia por mostrar o seu intelecto, Kojima-san de maneira não intencional passa um ar de arrogância e que ao rebuscar demais os seus enredos, acaba fazendo com que um público maior não tenha muita paciência para compreender o seu trabalho.

Eu entendo que o cara se vê como um artista e por isso não deve estar muito preocupado em tornar suas criações populares, mas será que sou o único a achar um tanto bizarro, por exemplo, a organização que controla o governo americano ser conhecida pelo codinome… La-Li-Lu-Le-Lo?

Mesmo assim, não vejo a hora de colocar as mãos no Death Stranding e enquanto isso vou torcendo para ter o mínimo de inteligência necessária para entender a mensagem que ele quer passar com esse jogo.

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