Kindle Oasis (2019): crème de la crème dos leitores de ebooks [review]

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Os Kindle encontram pouca ou nenhuma concorrência no mercado brasileiro de gadgets feitos exclusivamente para a leitura de livros, tendo o Kindle Oasis como o suprassumo da marca, o crème de la crème até mesmo quando eu penso em leitores que existem lá fora.

Em 2019 ele recebeu uma leve repaginada e entrou em sua terceira geração, com destaque para o corpo em metal que já existia antes, proteção contra água que também não é novidade, mas que agora pode deixar a página menos branca e ir até um amarelo típico do abajur com lâmpada incandescente que você já utiliza para ler livros. Tudo isso é conforto, comodidade e tem um preço que pode ser um pequeno probleminha para o bolso.

Vem comigo que eu te explico nos próximos parágrafos se vale a pena gastar tanto apenas pra ler livros. E quando eu falo “gastar tanto”, é R$ 1.149.

Primeiro contato

Não é de hoje que a Amazon utiliza apenas o mínimo necessário de caixa pra acomodar seus Kindles. No Oasis deste ano não é diferente, o gigante do varejo online colocou apenas uma proteção externa que permite a sobrevivência do produto nos correios, até chegar na sua casa.

kindle oasis 2019 caixa

Junto do próprio Kindle Oasis, vem um manual de instruções feito da forma mais lúdica possível (que ensina até onde deve ser colocado o cabo USB, na única porta USB do gadget) e outro mais detalhado, que é o mesmo manual estendido, repetido em oito idiomas diferentes – o Português está nele.

Ah, tem um cabo aqui e ele é um dos principais pontos negativos: micro-USB. Rapaz, você tem o melhor leitor de ebooks do mercado brasileiro, o mais completo e recheado de recursos, que foi lançado em pleno 2019 e ainda assim o conector não é USB-C.

Entrada micro USB em 2019

A questão não é a velocidade de transferência de arquivos, o micro-USB funciona perfeitamente neste modelo, mas sim a adoção de um cabo que até smartphone intermediário mais simples já tem.

Por fora, bela robustez

Deixando de lado este pequeno detalhe, o Kindle Oasis de 2019 é realmente robusto. O corpo deixou de ser de plástico na segunda geração e continua assim por aqui. O alumínio utilizado ajuda bastante na hora de passar a sensação de que isso aqui vai durar bastante tempo, e pode até mesmo sobreviver ao trabalho que é a vida dentro de uma mochila cheia de outras coisas – que querem, desesperadamente, arranhar e riscar o pequeno Kindle.

Se você perceber bem, notará que a traseira parece torta e errada. Quando vi pela primeira vez achei que isso era erro de design, uma escorregada do pessoal lá dos Estados Unidos, mas não! Ter parte de um dos lados abaulada ajuda muito na pegada, na ergonomia da leitura. Também ajuda na firmeza, já que dá pra aplicar um pouco mais de força nos dedos (pouco mesmo) e assim o Kindle Oasis tem menos chance de escorregar.

Como a orientação de tela é ajustada automaticamente ao girar o leitor, a parte mais gordinha acaba indo pra qual lado for preciso. Seja você destro ou canhoto, todos os comandos ficam disponíveis e com o mesmo conforto, com a mesma pegada e isso é importante pra leitura, que é algo que não dura poucos minutos. Dura horas.

Os botões laterais completam o conforto e são exclusivos do Kindle Oasis, já que todas as outras versões do leitor utilizam apenas o toque na tela. Dá pra usar o toque por aqui, mas é muito mais cômodo. Você não precisa mudar a mão de posição pra virar a página, é só estender o dedo da mão que já está segurando o aparelho e avançar no livro. Simples assim.

Botoes na lateral

Tela, o segredo de qualquer Kindle

A tela sempre foi o principal produto de todas as gerações deste leitor da Amazon. O e-ink, junto do vidro mais fosco, passa a sensação mais próxima possível de um papel de verdade. Nenhum smartphone, tablet ou notebook chega sequer perto disso. O display consegue refletir muito da luz que recebe, então ligar a iluminação é algo que realmente só é necessário para locais escuros – onde você já ligaria a luz, caso estivesse com um livro físico nas mãos.

Resolucao é alta

Tudo isso ajuda muito, mas muito mesmo no conforto da leitura. No conforto dos seus olhos, que não recebem mais luz do que já receberiam ao ler um papel. A resolução de 300 pixels por polegada também ajuda – é a mesma de revistas impressas. Mas, se você quer ler de noite e não quer ligar as luzes, há 25 LEDs alinhados pelas bordas das 7 polegadas do display.

Antes eram 12 e, mais do que dobrar a quantidade de pequeninas lâmpadas, não vai fazer você ler com uma lanterna nos olhos, mas sim espalhar a luz de forma mais uniforme.

A cereja do bolo desta geração aqui é que além de luz mais uniforme, você agora pode alterar a temperatura de cor. Saindo da luz quase branca do LED, para um amarelo semelhante ao de livros mais antigos. A mudança de cor também ajuda na hora de dormir e pegar no sono enquanto a leitura acontece.

Bateria continua como um sonho

Além da tela, a leitura em um Kindle nunca foi problema pra autonomia de bateria. Ele dura semanas, no plural mesmo. Se você deixar o Wi-Fi desligado e utilizar a luz do dia pra iluminar a leitura, o gasto energético é basicamente pra montar a próxima página e só. Manter a página visível, independente de quantas letras estão na exibição, praticamente não gasta nada da bateria.

A Amazon promete que em leitura de meia hora por dia, com brilho pela metade, dá pra ficar seis semanas com uma só carga. Sim, quase um mês e meio. Se colocar naquele esquema que falei, dá pra passar dois meses longe da tomada. Foi mais ou menos o que eu consegui.

Por dentro, no software, pouco muda

Se a proposta do Kindle, seja ele qual for, é de entregar conforto na leitura de livros e ponto final, o software tem pouco pra evoluir e isso é o que acontece por aqui. A mesma experiência está presente em praticamente todos os modelos, inclusive a falta de versatilidade na hora de abrir arquivos PDF.

Neste ponto a concorrência entrega melhores resultados, indo até mesmo pra leitura em um tablet. O Kindle apenas faz o PDF abrir, só, fim. Se você é novato neste mundo de leitores, saiba que o Kindle tem dicionário já instalado e que pode crescer com mais idiomas se você quiser, há uma ajuda da Wikipedia pra definição de verbetes (isso depende de conexão, o dicionário não) e toda a leitura é sincronizada entre todos os Kindles. Isso inclui até o app para smartphones, tablets e versão web para PCs.

O único limitador é que o Kindle Oasis só vai poder comprar livros vendidos pela Amazon, sem qualquer possibilidade de comprar um livro fora. Dá pra converter alguns formatos de livros que você pode comprar em outros locais, mas pra ligar o aparelho e comprar por ele mesmo, só na Amazon.

Tudo isso ocupará 8 GB ou 32 GB de memória. Então você me pergunta qual é a necessidade de tanta memória em um leitor de livros. A resposta é simples: audiolivros, que ocupam muito mais espaço do que livros comuns. A Amazon ainda não vende estes livros por aqui, mas se você aposta que ela venderá ou tem uma conta americana, 32 GB pode fazer sentido.

Em todos os outros casos, 8 GB dá e sobra pra centenas de livros e arquivos PDF armazenados.

E ai, compro?

Olha, depende. Se você quer apenas um leitor confortável pra vista e que tenha luz própria, sabendo que todos os Kindle são monocromáticos, eu sempre indico o Kindle Paperwhite. Ele custa muito menos e tem basicamente as mesmas funções, a mesma resolução de tela, a mesma capacidade de sobreviver na chuva ou no chuveiro e o mesmo espaço interno.

kindle oasis 2019 fim

Pensando neste cenário, o Kindle Oasis só vale a pena se você quer o máximo do conforto possível. A linha Oasis é tão boa, que se você tem o de primeira ou segunda geração, não faz sentido trocar por este.

Eu, entusiasta e que até curte ler algumas coisas, escolheria sim o Kindle Oasis, principalmente por saber que ele durará por anos a fio na mão. O motivo é que eu tenho o primeiro Kindle que chegou ao Brasil, lançado em 2014. Ele funciona sem engasgos até hoje, cinco anos depois da compra. Certeza que o Oasis vai ainda mais longe.

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